Caso 1: Quando a estabilidade exige ir mais longe (Evitando o Adding-on)
Vídeo: Dr. Diego explica a Translação Vertebral
O Desafio: O perigo da “Vértebra Escorregada”
Neste primeiro caso (do vídeo acima), tratamos um adolescente com uma curva lombar grave (>60°). Porém, o fator crítico não era apenas o grau, mas a Translação Vertebral Apical.Imagine que o centro de gravidade do corpo é uma linha reta. Na escoliose com translação, a vértebra L4 estava deslocada lateralmente, longe desse centro. Isso cria uma “alavanca” perigosa. Se tentássemos economizar e parar a cirurgia na vértebra de cima (L3), deixaríamos a base (L4) instável e inclinada.A decisão estratégica: O risco aqui era o Adding-on. Esse fenômeno ocorre quando a cirurgia para “antes da hora”, e a gravidade continua empurrando as vértebras não operadas, fazendo a curva crescer novamente abaixo da cicatriz. Por isso, estendemos a fixação até L4, garantindo que a base da coluna ficasse paralela ao solo (horizontalizada) e totalmente estável. 👉 Entenda mais sobre a importância do alinhamento em nosso artigo sobre Obliquidade Pélvica.Caso 2: Artrodese Seletiva (Preservando a Lombar)
Agora, veja o outro lado da moeda. Nesta jovem paciente, a estratégia foi oposta: operar menos para ganhar mais.A escoliose estava progredindo rapidamente, mas a “personalidade” das curvas era diferente. Para entender isso, precisamos diferenciar dois conceitos:- Curva Estrutural (A Causa): No caso dela, a curva torácica era rígida. Ela era a “agressora” que desequilibrava o corpo.
- Curva Compensatória (A Reação): A curva lombar era flexível. Ela só existia porque a coluna tentava se equilibrar sozinha para manter a cabeça centralizada.


O milagre da Autocorreção Lombar
Optamos por uma Artrodese Seletiva. A ideia foi “atacar a causa” (fixando apenas a curva torácica rígida) e deixar a lombar livre. O resultado foi a autocorreção: assim que alinhamos o mastro superior, a base lombar, que ainda tinha discos saudáveis e móveis, se realinhou espontaneamente.O Resultado: Tratamos a deformidade preservando 5 vértebras lombares móveis. Isso significa que, no futuro, essa paciente terá muito mais facilidade para agachar, praticar esportes e realizar movimentos de torção do tronco, protegendo sua coluna contra o desgaste precoce.
Cirurgia longa deixa a coluna “dura”?
Essa é a preocupação número 1 dos pais e dos pacientes jovens. A verdade é que a perda de mobilidade depende inteiramente de quais segmentos são operados.A coluna torácica (onde ficam as costelas) já é naturalmente mais rígida para proteger o coração e os pulmões. Portanto, fixar essa região (como no Caso 2) tem pouquíssimo impacto na flexibilidade do dia a dia.Já a coluna lombar é responsável por grande parte dos nossos movimentos. Quando precisamos instrumentar até a lombar baixa (como no Caso 1, por necessidade de segurança), utilizamos técnicas para manter o Equilíbrio Sagital. Isso garante que, mesmo com alguns segmentos fixos, o paciente mantenha uma postura ergonômica e funcional, capaz de levar uma vida ativa e sem dor.Não existe “Receita de Bolo” para Escoliose
Cada ano de crescimento conta e cada vértebra importa. Seja para uma correção extensa ou seletiva, o objetivo é sempre o mesmo: proteger a respiração, a mobilidade e a autoestima a longo prazo.
Tem dúvidas sobre qual a melhor estratégia para o seu caso?




