Resumo do Especialista
- Contexto: Dr. Diego Ramos comenta a repercussão de sua entrevista ao Campo Grande News sobre avanços na coluna.
- O Futuro (Polilaminina): Uma terapia promissora para regeneração neural em fase de testes de segurança (Fase 1) para lesões agudas.
- A Realidade (Jazz Band): Tecnologia híbrida demonstrada em vídeo neste artigo, que protege vértebras frágeis.
- A Inovação (Cages Expansíveis): Implantes que permitem cirurgias complexas através de microincisões.
Recentemente, tive a honra de ser entrevistado pelo portal Campo Grande News em uma matéria especial sobre o futuro da neurocirurgia e o tratamento de lesões medulares. A reportagem destacou a esperança trazida pela ciência brasileira com a Polilaminina e as tecnologias que já utilizamos na Santa Casa e nos hospitais privados de Campo Grande.
Como o espaço no jornal é limitado, decidi escrever este artigo técnico para aprofundar os pontos que citei. Quero explicar a você, com detalhes — e agora com um vídeo exclusivo de planejamento — como essas tecnologias funcionam “por dentro”.
Se você ainda não leu a matéria original, confira aqui a entrevista completa no Campo Grande News.
1. Polilaminina: A Ciência por trás da Esperança
A grande manchete é a liberação da Anvisa para os estudos da Polilaminina. Mas o que é isso exatamente? Diferente de um remédio comum para dor, estamos falando de Biotecnologia e Regeneração Tecidual.
🔬 Entenda a Técnica: O que ela faz na medula?
A Laminina é uma proteína natural do nosso corpo, fundamental para guiar o crescimento dos neurônios. O problema é que, após uma lesão na medula, forma-se uma cicatriz (gliose) que impede essa reconexão.
A Polilaminina (um polímero dessa proteína) atua tentando criar uma “ponte”, enganando esse bloqueio e estimulando as células nervosas a crescerem novamente através da lesão. O objetivo final é recuperar movimentos e sensibilidade.
Por que precisamos de cautela?
Apesar do potencial revolucionário, é crucial alinhar as expectativas. O estudo aprovado é uma Fase 1. Na ciência médica, isso significa que o foco atual é testar a segurança em um grupo minúsculo de pacientes (apenas 5 voluntários iniciais) com lesões agudas (ocorridas há menos de 72 horas).
Para pacientes com lesões crônicas (antigas), a tecnologia ainda não está disponível. O passo atual é validar que o tratamento não causa mal, para só depois testar sua eficácia em larga escala.
2. Jazz Band™: A Evolução da Fixação Vertebral
Enquanto a cura biológica (Polilaminina) caminha, a engenharia biomecânica já deu saltos gigantescos. Na entrevista, citei a “Banda de Jazz”..
Para você entender exatamente como isso funciona, gravei um vídeo explicando o planejamento de uma cirurgia de escoliose real utilizando um Biomodelo (Impressão 3D da coluna do paciente).
Vídeo: Planejamento cirúrgico personalizado em biomodelo 3D demonstrando a técnica híbrida.
O Problema dos “Pedículos Pequenos”
Como expliquei no vídeo, nem sempre a anatomia do paciente permite o uso apenas de parafusos. Em alguns lugares da coluna, o “pedículo” (o túnel ósseo onde entra o parafuso) é muito pequeno.
É aqui que entra a Técnica Híbrida com a Jazz Band:
A Solução do “Cinto de Segurança”
A tecnologia Jazz Band utiliza uma fita trançada de poliéster de alta resistência que passa por baixo da lâmina da vértebra.
- Segurança: Como mostrei no planejamento 3D, usamos a banda onde o osso é frágil ou pequeno demais para um parafuso.
- Correção de Rotação: Ela ajuda a “desrodar” a escoliose
na curva torácica com mais eficiência que o parafuso sozinho. - Proteção: Funciona como um cinto de segurança largo, distribuindo a força e evitando que o implante machuque o osso.
Protocolo de Segurança Adicional
Além da Jazz Band, no vídeo cito outras tecnologias que usamos no centro cirúrgico para garantir a recuperação rápida do paciente:
- Bipolar de Plasma: Tecnologia que cauteriza os tecidos sem queimar, diminuindo drasticamente o sangramento.
- Cortadora Osteossônica: Corta o osso através de vibração ultrassônica, preservando tecidos moles (nervos e vasos).
- Recuperadora de Sangue (Cell Saver): Máquina que filtra o sangue do próprio paciente e o devolve para o corpo, evitando transfusões externas.
3. Cages Expansíveis: O “Macaco Hidráulico” da Coluna
Outra revolução que citei é o uso de dispositivos expansíveis. Na cirurgia de fusão (Artrodese), precisamos colocar um “calço” (chamado de Cage) no lugar do disco doente para restaurar a altura da coluna e liberar os nervos.
A Lógica do “Navio na Garrafa”
Antigamente, para colocar um calço de 12mm de altura, eu precisava fazer um buraco de 12mm e afastar seus nervos violentamente para o objeto passar. Isso causava dor.
Os Cages Expansíveis mudaram essa lógica. Eles utilizam uma engenharia de precisão:
- Inserção: O dispositivo entra na coluna “colapsado” (fechado), com um perfil muito baixo (ex: 7mm). Isso passa por uma incisão mínima, sem agredir os nervos.
- Expansão: Uma vez posicionado no centro do disco, acionamos um mecanismo que o faz “crescer” verticalmente.
- Ajuste de Lordose: Além de crescer, alguns modelos conseguem inclinar, restaurando a curvatura natural (lordose) da sua coluna, o que é essencial para o equilíbrio sagital.
Isso é o coração da Cirurgia Minimamente Invasiva (MISS). Menor agressão na entrada significa menos dor na saída. Confira as diferenças entre uma cirurgia de coluna minimamente invasiva e tradicional
Consulta com neurocirurgião em Campo Grande
Se você sofre com dores na coluna ou tem um diagnóstico complexo, agende uma avaliação para entender qual dessas tecnologias pode ajudar no seu caso.




