Resumo do especialista
A espinha bífida é uma malformação congênita relacionada ao fechamento incompleto da coluna e das estruturas do tubo neural durante o desenvolvimento do bebê. Ela pode variar desde formas discretas, como a espinha bífida oculta, até formas mais complexas, como a mielomeningocele.
A forma oculta costuma ser mais discreta e, muitas vezes, não causa sintomas. Mesmo assim, alguns sinais na pele, como tufo de cabelo, mancha, covinha, depressão ou volume na região lombar, podem indicar necessidade de investigação médica.
A principal preocupação em alguns casos é a síndrome da medula presa, que pode se manifestar durante o crescimento da criança com dor, fraqueza nas pernas, alteração da marcha, escoliose ou perda de controle da bexiga e do intestino.
- Espinha bífida é uma alteração congênita relacionada ao fechamento da coluna.
- Os principais tipos são espinha bífida oculta, meningocele e mielomeningocele.
- A forma oculta pode ser silenciosa, mas sinais na pele merecem atenção.
- Alterações motoras, urinárias ou intestinais devem ser avaliadas sem demora.
A espinha bífida é uma condição congênita que pode afetar a formação da coluna vertebral e da medula espinhal. Em alguns casos, é identificada ainda na gestação; em outros, só é percebida após o nascimento ou durante o crescimento da criança.
Uma das formas mais conhecidas é a espinha bífida oculta, que pode passar despercebida por anos. Já a mielomeningocele é uma forma aberta e mais grave, geralmente identificada ao nascimento e associada a maior risco de alterações neurológicas.
Neste artigo, você vai entender o que é espinha bífida, quais são os tipos, quais sinais observar no bebê, quando a forma oculta exige atenção, o que é medula presa, como é feito o diagnóstico e quando procurar avaliação com neurocirurgião pediátrico.
Neste artigo você verá:
- O que é espinha bífida
- Quais são os tipos de espinha bífida
- Espinha bífida oculta: o que é e quando preocupar
- Sinais visíveis no bebê
- O que é síndrome da medula presa
- Sintomas durante o crescimento
- Como é feito o diagnóstico
- Tratamento da espinha bífida
- Diferença entre espinha bífida oculta e mielomeningocele
- Ácido fólico e prevenção
- Quando procurar neurocirurgião pediátrico
- Perguntas frequentes
O que é espinha bífida?
A espinha bífida é uma malformação congênita relacionada ao fechamento incompleto da coluna vertebral e das estruturas do tubo neural durante as primeiras semanas de desenvolvimento do bebê.
O tubo neural é a estrutura embrionária que dá origem ao cérebro, à medula espinhal e às estruturas que os protegem. Quando há falha nesse fechamento, podem surgir alterações na coluna, nas meninges, na medula e nos nervos.
A gravidade varia muito. Algumas pessoas apresentam apenas uma pequena falha óssea, coberta pela pele e sem sintomas. Outras podem ter exposição ou protrusão de estruturas neurológicas, com necessidade de tratamento cirúrgico e acompanhamento multidisciplinar.
Em resumo: espinha bífida não é uma condição única. Ela engloba diferentes formas, com gravidade, sintomas e tratamento variando conforme o tipo e o comprometimento neurológico.
Quais são os tipos de espinha bífida?
Os principais tipos de espinha bífida são classificados conforme o grau de abertura da coluna e o envolvimento das meninges, medula espinhal e nervos.
Espinha bífida oculta
Forma mais discreta, em que a falha óssea costuma ser coberta pela pele. Muitas vezes não causa sintomas, mas pode estar associada a sinais cutâneos e medula presa em alguns casos.
Meningocele
Forma em que as meninges podem se projetar por uma abertura na coluna, formando uma bolsa. Em geral, a medula não está dentro dessa bolsa, mas o caso exige avaliação especializada.
Mielomeningocele
Forma aberta e mais grave, em que medula e nervos podem se projetar por uma abertura na coluna. Costuma exigir tratamento cirúrgico e acompanhamento multidisciplinar.
Entender o tipo de espinha bífida é essencial para definir o acompanhamento, os exames necessários e o tratamento mais adequado para cada criança.
Espinha bífida oculta: o que é e quando preocupar?
A espinha bífida oculta é uma forma em que existe falha no fechamento ósseo da coluna, geralmente coberta pela pele. Ela é chamada de “oculta” porque nem sempre é visível ou sintomática.
Muitas crianças com espinha bífida oculta não apresentam sintomas neurológicos importantes. No entanto, a presença de sinais na pele da região lombar ou sacral pode indicar necessidade de investigação, principalmente quando há suspeita de ligação com alterações da medula.
Essa malformação é mais comum na região inferior da coluna, especialmente na transição lombossacral, como entre L5 e S1.

Atenção: nem toda covinha ou marca na pele significa espinha bífida. Porém, quando há tufo de pelo, mancha, volume, depressão profunda ou alteração neurológica associada, a criança deve ser avaliada.
Sinais visíveis no bebê
Em muitos casos, os sinais de alerta podem estar presentes desde o nascimento. Eles aparecem principalmente na região lombar ou sacral, perto da base da coluna.
Entre os sinais que merecem atenção estão:
- Tufo de cabelo na região lombar;
- Mancha ou alteração de cor na pele das costas;
- Covinha, depressão ou afundamento na região sacral;
- Pequeno volume, inchaço ou acúmulo de gordura na região afetada;
- Pele diferente, cicatriz, abertura ou secreção local;
- Assimetria nas pernas, pés ou marcha conforme a criança cresce.
Esses sinais não confirmam o diagnóstico sozinhos, mas podem indicar a necessidade de exame clínico e, em alguns casos, exames de imagem.
O que é síndrome da medula presa?
A síndrome da medula presa ocorre quando a medula espinhal fica ancorada de forma anormal, dificultando sua movimentação dentro do canal da coluna durante o crescimento da criança.
Em alguns casos de espinha bífida oculta, a medula presa pode permanecer silenciosa por um período e se manifestar em fases de crescimento acelerado, como na infância ou puberdade.
Essa condição merece atenção porque pode causar sintomas progressivos, especialmente motores, ortopédicos, urinários ou intestinais.
Sinal de alerta: perda de força, piora da marcha, alteração urinária, incontinência ou dor progressiva em criança com sinais lombares devem ser avaliados por especialista.
Quais sintomas podem surgir durante o crescimento?
Embora muitas crianças com espinha bífida oculta não apresentem sintomas, algumas podem desenvolver alterações durante o crescimento, especialmente quando há medula presa ou comprometimento neurológico associado.
Os sintomas que merecem atenção incluem:
- Dor nas costas, dor lombar ou dor nas pernas;
- Fraqueza nas pernas;
- Dificuldade para andar ou piora da coordenação motora;
- Alterações no formato dos pés;
- Escoliose ou piora do alinhamento da coluna;
- Perda de controle da bexiga ou do intestino;
- Infecções urinárias de repetição ou dificuldade para esvaziar a bexiga;
- Alteração de sensibilidade nas pernas ou região lombar.
Quando esses sinais aparecem, o acompanhamento médico é importante para investigar a causa e definir se há necessidade de tratamento.
Em casos com alteração da coluna associada, leia também: Escoliose: o que é, sintomas, tipos, graus e tratamento.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico começa com avaliação clínica, observação da pele, exame neurológico e análise do desenvolvimento motor da criança.
Quando há suspeita de espinha bífida, disrafismo oculto ou medula presa, exames de imagem podem ser solicitados.
- Ultrassonografia: pode ser útil nos primeiros meses de vida, enquanto as estruturas ósseas ainda permitem boa visualização;
- Ressonância magnética: é o exame mais detalhado para avaliar medula, nervos, canal vertebral e sinais de medula presa;
- Tomografia computadorizada: pode ser útil em situações específicas para avaliar a parte óssea da coluna;
- Avaliação urológica: pode ser necessária quando há sintomas urinários, incontinência ou suspeita de bexiga neurogênica;
- Avaliação ortopédica e fisioterapêutica: pode auxiliar quando há alteração de marcha, pés, coluna ou função motora.
O objetivo do diagnóstico é diferenciar casos assintomáticos de situações em que existe risco neurológico, urológico ou ortopédico.
Tratamento da espinha bífida
O tratamento da espinha bífida depende do tipo, dos sintomas, da idade da criança, do grau de comprometimento neurológico e da presença ou não de medula presa.
Acompanhamento clínico
Muitos casos de espinha bífida oculta permanecem assintomáticos e podem exigir apenas acompanhamento periódico. A frequência das consultas depende dos sinais clínicos, exames e evolução da criança.
Fisioterapia e reabilitação
Quando há alteração motora, fraqueza, atraso no desenvolvimento, dificuldade para andar ou deformidades associadas, a fisioterapia pode ajudar na mobilidade, fortalecimento e função.
Acompanhamento urológico
Crianças com alterações urinárias podem precisar de avaliação urológica, exames específicos e tratamento para proteger a função da bexiga e dos rins.
Cirurgia em casos selecionados
Quando há sinais de medula presa, piora neurológica ou risco de agravamento, pode ser indicada cirurgia para liberar a medula. A decisão depende da avaliação especializada e dos exames de imagem.
Em casos de mielomeningocele, o tratamento cirúrgico costuma ser necessário precocemente para proteger estruturas neurais e reduzir riscos associados à exposição da medula e dos nervos.
Importante: a indicação de cirurgia não depende apenas do achado no exame. Ela considera sintomas, evolução, risco neurológico, idade e características da malformação.
Qual a diferença entre espinha bífida oculta e mielomeningocele?
A diferença principal está no grau de abertura da coluna e no envolvimento das estruturas neurológicas.
Na espinha bífida oculta, a falha costuma ser coberta pela pele e pode não envolver dano aos nervos. Em muitos casos, a criança não apresenta sintomas.
Na mielomeningocele, há uma abertura mais evidente, com protrusão de estruturas como meninges, medula e nervos. Essa forma é mais grave e pode estar associada a dificuldade de locomoção, perda de sensibilidade, alterações urinárias e intestinais e necessidade de acompanhamento multidisciplinar.
Por isso, mesmo que ambos estejam dentro do espectro da espinha bífida, são condições com gravidade, tratamento e acompanhamento diferentes.
Ácido fólico ajuda a prevenir espinha bífida?
O ácido fólico é uma vitamina do complexo B importante para o desenvolvimento do tubo neural nas primeiras semanas da gestação.
A suplementação adequada antes da gravidez e no início da gestação é uma medida reconhecida para reduzir o risco de defeitos do tubo neural, incluindo espinha bífida.
A orientação sobre dose, início da suplementação e situações de maior risco deve ser feita por obstetra ou profissional de saúde responsável pelo acompanhamento da mulher.
Atenção: este conteúdo não substitui orientação pré-natal. Mulheres que desejam engravidar ou que já estão grávidas devem conversar com seu obstetra sobre ácido fólico e cuidados gestacionais.
Quando procurar neurocirurgião pediátrico?
A avaliação com neurocirurgião pediátrico pode ser indicada quando há suspeita de espinha bífida, sinais de medula presa, alterações neurológicas ou achados em exames de imagem.
Procure avaliação especialmente se houver:
- Tufo de cabelo, mancha, covinha profunda ou volume na região lombar;
- Diagnóstico de espinha bífida em exame de imagem;
- Suspeita de medula presa;
- Fraqueza nas pernas ou dificuldade para andar;
- Alteração no controle urinário ou intestinal;
- Escoliose, alteração nos pés ou assimetrias progressivas;
- Mielomeningocele diagnosticada na gestação ou ao nascimento.
O Dr. Diego Ramos atua em Campo Grande/MS com neurocirurgia pediátrica, avaliação de malformações congênitas, alterações da coluna e condições relacionadas à medula espinhal.
Veja também: Neurocirurgia pediátrica e Craniossinostose: sinais, diagnóstico e tratamento.
Perguntas frequentes sobre espinha bífida
O que é espinha bífida?
Espinha bífida é uma malformação congênita relacionada ao fechamento incompleto da coluna e das estruturas do tubo neural durante o desenvolvimento do bebê. A gravidade varia conforme o tipo e o envolvimento da medula e dos nervos.
Quais são os tipos de espinha bífida?
Os principais tipos são espinha bífida oculta, meningocele e mielomeningocele. A forma oculta costuma ser mais discreta, enquanto a mielomeningocele é uma forma aberta e mais grave.
O que é espinha bífida oculta?
É uma forma em que há falha no fechamento ósseo da coluna, geralmente coberta pela pele. Muitas vezes não causa sintomas, mas pode estar associada a sinais na pele ou medula presa em alguns casos.
Quais sinais no bebê podem indicar espinha bífida oculta?
Tufo de cabelo, mancha na pele, covinha profunda, depressão, volume ou alteração na região lombar ou sacral podem indicar necessidade de avaliação médica, principalmente se houver sintomas associados.
Espinha bífida oculta é grave?
Muitas vezes não é grave e pode permanecer assintomática. Porém, alguns casos podem estar associados à medula presa ou alterações neurológicas, urinárias, intestinais ou ortopédicas.
O que é medula presa?
Medula presa ocorre quando a medula espinhal fica ancorada de forma anormal, dificultando sua movimentação durante o crescimento. Pode causar dor, fraqueza nas pernas, alteração da marcha, escoliose e perda de controle urinário ou intestinal.
Espinha bífida tem cura?
Depende do tipo e da gravidade. Algumas formas exigem apenas acompanhamento; outras podem precisar de cirurgia e reabilitação. O tratamento busca reduzir riscos, proteger funções neurológicas e favorecer qualidade de vida.
Como é feito o diagnóstico da espinha bífida?
O diagnóstico pode envolver avaliação clínica, observação de sinais na pele e exames de imagem, como ultrassonografia em bebês pequenos, ressonância magnética e, em casos específicos, tomografia.
Qual a diferença entre espinha bífida oculta e mielomeningocele?
Na espinha bífida oculta, a falha costuma ser coberta pela pele e pode não causar sintomas. Na mielomeningocele, há abertura com protrusão de estruturas neurológicas, sendo uma forma mais grave e com maior risco de sequelas.
Quando a cirurgia é indicada?
A cirurgia pode ser indicada em casos de mielomeningocele ou quando há sinais de medula presa, piora neurológica, alterações urinárias, intestinais, motoras ou risco de agravamento. A decisão é individualizada.
Ácido fólico previne espinha bífida?
A suplementação adequada de ácido fólico antes e no início da gestação ajuda a reduzir o risco de defeitos do tubo neural, incluindo espinha bífida. A orientação deve ser feita pelo obstetra.
Quando procurar um neurocirurgião pediátrico?
Procure avaliação se houver diagnóstico ou suspeita de espinha bífida, sinais na pele da região lombar, alteração da marcha, fraqueza nas pernas, escoliose, incontinência ou suspeita de medula presa.
Agendar avaliação com neurocirurgião pediátrico em Campo Grande/MS
Se seu filho apresenta sinais nas costas, suspeita de espinha bífida, alteração na marcha, sintomas urinários ou diagnóstico em exame de imagem, entre em contato para agendar uma avaliação com o Dr. Diego Ramos.

Dr. Diego Ramos
CRM-MS 6407 | RQE 6277
Neurocirurgião em Campo Grande/MS, com atuação em neurocirurgia adulto e pediátrica, cirurgia da coluna, escoliose e malformações congênitas. Sua prática é baseada em avaliação individualizada, análise de exames e definição de condutas conforme o quadro clínico de cada paciente.
Referências consultadas
*Conteúdo informativo e educativo, elaborado para auxiliar pacientes e familiares na compreensão da espinha bífida, espinha bífida oculta, mielomeningocele e síndrome da medula presa. Não substitui consulta médica, diagnóstico, segunda opinião formal, acompanhamento pré-natal ou orientação individualizada. A indicação de exames, acompanhamento, fisioterapia, avaliação urológica, cirurgia ou qualquer outro tratamento depende da avaliação presencial, sintomas, exames de imagem, idade e evolução clínica. Não há promessa de cura ou garantia de resultado.




